Cidades de Papel: um livro sobre auto conhecimento, aventuras e amor

Oi, oi, oi moçada linda!!! É segunda feira mais uma vez, o que indica que minhas férias estão cada vez mais próximas do fim. Mas, mudando de assunto, eu finalmente criei coragem nessa cara de pau e li meu segundo livro do John Green. Humm Cidades de Papel, esse livro mexeu comigo. Na verdade, eu acho que o propósito de todos os livros do Mr. Green é fazer com que o leitor reflita cada vez mais sobre si mesmo, sobre o mundo e as pessoas ao seu redor, e é claro, sobre os medos e inseguranças que nos permeiam.

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Em cidades de Papel nós conhecemos Quentin Jacobsen e é através de seu ponto de vista que a história se segue. Quentin, ou Q, é um típico nerd americano, com alguns poucos, mas sempre fiéis, amigos, boas notas, filho exemplar de pais psicólogos, que está acostumado a viver uma vida marcada pela rotina. Quentin é vizinho de Margo Roth Spiegelman, a garota mais popular do colégio, famosa por suas loucas aventuras sem pé nem cabeça e sua beleza.

Quentin e Margo se conhecem desde pequenos em virtude de seus pais serem amigos e costumavam brincar juntos pelo bairro onde moram.Quando os dois tinham 9 anos, enquanto andavam de bicicleta pelo parque, acabaram por encontrar um cadáver sob uma árvore e isso veio por mudar o rumo de suas vidas. Enquanto Quentin só desejava se afastar o máximo possível daquela cena, Margo, nutrida por uma sede de curiosidade, queria se aproximar e saber mais sobre aquele homem que agora jazia ali ao pé da árvore.

Dei dois passinhos para trás. E me lembro de ter pensado que, se fizesse qualquer movimento súbito, ele poderia despertar e me atacar. (…) Quando dei dois passos, Margo também deu, igualmente curtos e silenciosos, porém para frente.

Por fim os dois voltam as suas casas, e ao ponto de vista de Quentin aquele dia finalmente havia terminado, ou era o que ele pensava. Após sua mãe colocá-lo para dormir, Margo aparece do lado de fora de sua janela e e conta  o que descobriu sobre o homem morto daquela tarde. Os dois ficam lá se encarando, como que eternamente, até Q. cair no sono e depois disso suas vidas se separam, cada um tomando um rumo na direção oposta.

Margo sempre adorou um mistério. E com tudo o que aconteceu depois, nunca consegui deixar de pensar que ela talvez gostasse tanto de mistérios que acabou por se tornar um.

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Já na adolescência, Margo é uma garota popular e divertida no colégio, enquanto Quentin é nosso jovem nerd,amigo do pessoal da banda da escola e apaixonado por video-games. Mas, nem tudo mudou. Q. continua apaixonado pela maluquinha da Margo e nutri essa paixão platônica.

Enquanto caminhávamos, eu olhava de relance para ela de vez em quando através da multidão: uma série de instantâneos fotográficos intitulada A perfeição fica parada enquanto os mortais passam por ela. (…) Não era nem o fato de ela ser tão bonita. É que ela era o máximo, literalmente.

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Até que em um cinco de maio qualquer, Margo aparece na janela do quarto de Quentin,no modo ninja genérico de filme americano (rosto pintado de preto e moletom com capuz também preto) e o convoca para ajudá-la num plano de vingança de onze passos contra seu ex-namorado e alguns falsos amigos.

Hoje, meu bem, vamos acertar um monte de coisas que estão erradas.E vamos estragar algumas que estão certas.Os últimos serão os primeiros; e os primeiros serão os últimos; os mansos herdarão a terra. Mas, antes de redefinir completamente o mundo, precisamos fazer compras.

Até  aí a história parece seguir um roteiro comum de comédias românticas para adolescentes, com uma noite fora de série e o desenvolvimento de um amor inesperado. Pelo menos é  o que se pensa, mas estamos falando de John Green não é verdade?!! Apesar de resistir um pouco, Q. se junta a Margo no meio da madrugada e cumpre uma lista de coisas que ela planejou.Essa aventura compõe, portanto, a primeira parte do livro: Os fios, e ao meu ver, a mais hilária. Em meio a todo esse plano mirabolante de Margo, nós vivenciamos Quentin enfrentando seus medos de quebrar regras, se arriscar, não corresponder a um exemplo de filho que representava para seus pais e, obviamente, conhecendo um pouco mais sobre si mesmo,sobre Margo e tornando-se mais corajoso e descontraído.

A noite termina as mil maravilhas e Quentin vai dormir ansioso pela manhã que está por vir , com o desejo de que o dia seguinte seja um ponto novo na história dele e Margo, um novo cruzamento dos fios de suas vidas que a tanto tempo haviam se separado.

E eu senti o fio ininterrupto, o me e o dela, se esticando desde nossos berços até o cara morto, de quando éramos apenas conhecidos até agora. E eu queria dizer que para mim o prazer não estava no planejamento ou na execução ou na saída; o prazer estava em ver nossos fios se cruzarem e se separarem, e depois se tocarem de novo…

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Mas nem tudo acontece como esperamos, e no dia seguinte Margo não aparece na escola e nem da sinal de vida em sua casa. Por fim, descobre-se que ela fugiu novamente de casa, como em tantas outas vezes, mas o nosso fofo do Q não acredita ser apenas mais umas das loucas aventuras de Margo e parte em busca desenfreada por pistas que possam levá-lo até sua paixonite.Começa assim a segunda parte do livro: A relva.

Nessa parte, Quentin acaba arrastando seus melhores amigos Ben e Radar e a melhor amiga de Margo, Lacey, para a sua missão de busca e resgate, a qual não é nada fácil por sinal. Os diálogos humorados entre os personagens torna a leitura mais leve e descontrai os momentos mais arrastados do livro. Enquanto segue “migalhas de pão” deixadas por Margo como um poema de Walt Whitman e alguns mapas, Quentin acaba conhecendo um lado de sua vizinha ainda estranho a ele e passa a se questionar se a Margo linda, divertida e popular tão visível a todos era realmente a verdadeira Margo Roth Spiegelman, ou apenas mais uma das varias projeções criadas pelas pessoas ao seu redor a partir de visões distorcidas.

Quanto mais eu trabalho, mais percebo que os seres humanos carecem de bons espelhos. É muito difícil para qualquer um mostrar a nós como somos de fato, e é muito difícil para nós mostrarmos aos outros o que sentimos

 Q está morrendo de medo que Margo tenha cometido uma loucura e esteja morta, coisa que ninguém mais acredita além dele, e no fundo ele só quer que as coisas voltem a ser como sua rotina, fácil de se prever. John Green nos ensina através dos olhos do protagonista a conhecermos a nós mesmos primeiramente, antes de procurar conhecer o outro e a olhar o mundo como um todo, em seus diversos pontos de perspectiva,  a fim de amadurecimento.

Achei aquilo perfeito: você ouvia as pessoas para enxerga-las, e ouvia todas as coisas horríveis e todas as coisas maravilhosas que elas faziam consigo e com os outros, mas, no final das contas, ouvir faz com que se exponha muito mais do que as pessoas a quem estava tentando escutar.

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No fim é uma grande reflexão sobre os caminhos que seguimos em nossas vidas, como romantizamos as pessoas em contrapartida a sua verdadeira essência e sobre os valores que adotamos em nossa caminhada.

A terceira parte: O Navio, nos leva a acompanhar a caçada maluca desses quatros amigos em busca de Margo. Você simplesmente não consegue parar de rir com os planos mirabolantes e as brincadeiras que rola entre os personagens. Realmente admiro muito John Green por trazer personagens tão humanizados até nós.

Eu gostaria de poder falar mais sobre a história, o motivo do título de cada parte do livro e até mesmo sobre o título Cidades de Papel, mas seria um spoiler sem precedentes e, na verdade, há mais de um motivo para esse título kkkk

No fim acabei me apaixonando pelo Quentin e seus amigos, mas acabei com um sentimento dúbio quanto a Margo, não sei se ela no fim é alguém que eu passei a compreender ou uma egoísta tentando fugir de seus problemas. Mas, não dá pra se amar tudo né?!

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Se recomendo que você leia Cidades de Papel? Claro que sim. John Green é espetacular. Se está desfrutando de tanto sucesso, é porque merece. Esse livro tem muito mais a acrescentar do que defeitos a serem apontados, e assim como nosso lindo Q. eu também cresci como pessoa após sua história.

Se você está interessado em saber mais sobre o livro e o processo de criação do autor clique no link a seguir e deleite-se com um Questions about Paper Towns. Detalhe: contém super spoilers.

http://johngreenbooks.com/pt-questions/

Gostaram da resenha? Alguém aí já leu? O que achou? Comente! 🙂

 

Playlist: Quando ele chega…

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Ele chega assim como quem não quer nada, arranca sorrisos, deixa suspiros e vira tudo de ponta cabeça. O amor é uma coisa engraçada. Ele vem em vários tons e formas que é quase impossível prever o tipo de amor que você irá experimentar até que você realmente o tenha experimentado. Amor platônico, encantamento, paixonite, amizade, romântico, não correspondido, obsessivo, fofo, amor incondicional. Existem amores que se entendem só com o olhar ou aqueles que começaram por se odiar. Existe amor egoísta, existe aquele que aparece sem deixar nenhuma pista. Cada amor é um amor. Cada um tem seu sabor. Cada um tem sua intensidade. Amor que é amor nunca acaba de verdade. Cada um ama à sua maneira. Pode não ser um amor do tipo que as outras pessoas esperam mas é bom o suficiente para quem o tem. E apesar de ser tão confuso, causar tamanha felicidade ou mesmo tanto sofrimento quanto possa parecer, o amor ainda é algo que todos nós esperamos algum dia experimentar.

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