Como sairemos deste labirinto?

Illusionary_mazeOlá meus caros leitores!!!

Tenho uma péssima notícia…

Amanhã começarão minhas aulas e, portanto, minhas raras postagens vão se tornar quase extintas.

Mas, para fechar as férias com chave de ouro, resolvi comentar a respeito da frase: “Como sairemos deste labirinto?” que aparece no livro ‘Quem é você Alasca?’.

No livro, a frase é apresentada como últimas palavras de Simón Bolívar por Alasca Young. Nosso protagonista, Miles Halter, passa a se questionar durante toda a trama a respeito do que seria o tal labirinto no momento em que Alasca apresenta as últimas palavras de Bolívar.

A íntegra da frase de nosso personagem histórico é a seguinte:

Ele – ou seja, Simón Bolívar – estremeceu diante da revelação de que a corrida arrojada entre seus males e seus sonhos estavam chegando ao fim. O resto eram trevas. ‘Droga’, ele suspirou. ‘Como sairemos deste labirinto?’

Então chega de enrolação e vamos à especulação…

Labirinto é, em geral, uma representação daquilo que é redundante, que, por vezes, não tem começo nem fim, que, por muitas outras vezes, te conduzem por um caminho dá em lugar nenhum.

Na minha opinião, o labirinto pode representar diversas coisas desde nossas responsabilidades, as quais muitos buscam fugir, ao sofrimento de quem sofre depressão.

E sim, voltamos ao tópico depressão.

Pode parecer meio clichê, algo meio batido, um assunto que todo mundo fala atualmente, mas é algo que deve ser dito. Para pessoas deprimidas é realmente difícil fugir daquela sintonia e encontrar seu caminho para sair desse lugar.

Para pessoas com depressão eu vejo um labirinto com duas saídas: uma no centro e uma na periferia. Cabe a cada indivíduo preso escolher seu caminho.

A saída do centro representaria rendimento.

Após percorrer todo o labirinto e chegar ao centro tem-se duas escolhas a serem feitas: desistir ali mesmo e mergulhar naquela saída, a qual não é possível saber onde vai dar, ou seja, mergulhar no incerto ou pode-se dar meia volta e tentar encontrar o lugar por onde entramos.

A saída na periferia simboliza duas situações: uma em que o indivíduo, que mal entrou, consegue sair e uma fase em que, após percorrer todo o labirinto e encarar o centro, ele resolve continuar a procurar o local por onde entrou.

Para mim, o labirinto representa a vida e o sofrimento, pois ambas as coisas estão interligadas, como já dizia nosso amigo Arthur Schopenhauer:

Viver é sofrer

E para você? O que seria seu labirinto? Suas responsabilidades? Sua vida? Depressão? Seu sofrimento? Suas decisões sempre erradas que te conduzem a lugar nenhum?

Essa postagem foi feita com objetivo de reflexão pois eu passei as férias INTEIRAS pensando nessa frase e no que o labirinto representava para mim e acho que consegui chegar a algum lugar.

Deixo esse questionamento para vocês agora…

Beijinhos de uma Mari chateada pelo início das aulas.
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Cidades de Papel: um livro sobre auto conhecimento, aventuras e amor

Oi, oi, oi moçada linda!!! É segunda feira mais uma vez, o que indica que minhas férias estão cada vez mais próximas do fim. Mas, mudando de assunto, eu finalmente criei coragem nessa cara de pau e li meu segundo livro do John Green. Humm Cidades de Papel, esse livro mexeu comigo. Na verdade, eu acho que o propósito de todos os livros do Mr. Green é fazer com que o leitor reflita cada vez mais sobre si mesmo, sobre o mundo e as pessoas ao seu redor, e é claro, sobre os medos e inseguranças que nos permeiam.

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Em cidades de Papel nós conhecemos Quentin Jacobsen e é através de seu ponto de vista que a história se segue. Quentin, ou Q, é um típico nerd americano, com alguns poucos, mas sempre fiéis, amigos, boas notas, filho exemplar de pais psicólogos, que está acostumado a viver uma vida marcada pela rotina. Quentin é vizinho de Margo Roth Spiegelman, a garota mais popular do colégio, famosa por suas loucas aventuras sem pé nem cabeça e sua beleza.

Quentin e Margo se conhecem desde pequenos em virtude de seus pais serem amigos e costumavam brincar juntos pelo bairro onde moram.Quando os dois tinham 9 anos, enquanto andavam de bicicleta pelo parque, acabaram por encontrar um cadáver sob uma árvore e isso veio por mudar o rumo de suas vidas. Enquanto Quentin só desejava se afastar o máximo possível daquela cena, Margo, nutrida por uma sede de curiosidade, queria se aproximar e saber mais sobre aquele homem que agora jazia ali ao pé da árvore.

Dei dois passinhos para trás. E me lembro de ter pensado que, se fizesse qualquer movimento súbito, ele poderia despertar e me atacar. (…) Quando dei dois passos, Margo também deu, igualmente curtos e silenciosos, porém para frente.

Por fim os dois voltam as suas casas, e ao ponto de vista de Quentin aquele dia finalmente havia terminado, ou era o que ele pensava. Após sua mãe colocá-lo para dormir, Margo aparece do lado de fora de sua janela e e conta  o que descobriu sobre o homem morto daquela tarde. Os dois ficam lá se encarando, como que eternamente, até Q. cair no sono e depois disso suas vidas se separam, cada um tomando um rumo na direção oposta.

Margo sempre adorou um mistério. E com tudo o que aconteceu depois, nunca consegui deixar de pensar que ela talvez gostasse tanto de mistérios que acabou por se tornar um.

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Já na adolescência, Margo é uma garota popular e divertida no colégio, enquanto Quentin é nosso jovem nerd,amigo do pessoal da banda da escola e apaixonado por video-games. Mas, nem tudo mudou. Q. continua apaixonado pela maluquinha da Margo e nutri essa paixão platônica.

Enquanto caminhávamos, eu olhava de relance para ela de vez em quando através da multidão: uma série de instantâneos fotográficos intitulada A perfeição fica parada enquanto os mortais passam por ela. (…) Não era nem o fato de ela ser tão bonita. É que ela era o máximo, literalmente.

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Até que em um cinco de maio qualquer, Margo aparece na janela do quarto de Quentin,no modo ninja genérico de filme americano (rosto pintado de preto e moletom com capuz também preto) e o convoca para ajudá-la num plano de vingança de onze passos contra seu ex-namorado e alguns falsos amigos.

Hoje, meu bem, vamos acertar um monte de coisas que estão erradas.E vamos estragar algumas que estão certas.Os últimos serão os primeiros; e os primeiros serão os últimos; os mansos herdarão a terra. Mas, antes de redefinir completamente o mundo, precisamos fazer compras.

Até  aí a história parece seguir um roteiro comum de comédias românticas para adolescentes, com uma noite fora de série e o desenvolvimento de um amor inesperado. Pelo menos é  o que se pensa, mas estamos falando de John Green não é verdade?!! Apesar de resistir um pouco, Q. se junta a Margo no meio da madrugada e cumpre uma lista de coisas que ela planejou.Essa aventura compõe, portanto, a primeira parte do livro: Os fios, e ao meu ver, a mais hilária. Em meio a todo esse plano mirabolante de Margo, nós vivenciamos Quentin enfrentando seus medos de quebrar regras, se arriscar, não corresponder a um exemplo de filho que representava para seus pais e, obviamente, conhecendo um pouco mais sobre si mesmo,sobre Margo e tornando-se mais corajoso e descontraído.

A noite termina as mil maravilhas e Quentin vai dormir ansioso pela manhã que está por vir , com o desejo de que o dia seguinte seja um ponto novo na história dele e Margo, um novo cruzamento dos fios de suas vidas que a tanto tempo haviam se separado.

E eu senti o fio ininterrupto, o me e o dela, se esticando desde nossos berços até o cara morto, de quando éramos apenas conhecidos até agora. E eu queria dizer que para mim o prazer não estava no planejamento ou na execução ou na saída; o prazer estava em ver nossos fios se cruzarem e se separarem, e depois se tocarem de novo…

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Mas nem tudo acontece como esperamos, e no dia seguinte Margo não aparece na escola e nem da sinal de vida em sua casa. Por fim, descobre-se que ela fugiu novamente de casa, como em tantas outas vezes, mas o nosso fofo do Q não acredita ser apenas mais umas das loucas aventuras de Margo e parte em busca desenfreada por pistas que possam levá-lo até sua paixonite.Começa assim a segunda parte do livro: A relva.

Nessa parte, Quentin acaba arrastando seus melhores amigos Ben e Radar e a melhor amiga de Margo, Lacey, para a sua missão de busca e resgate, a qual não é nada fácil por sinal. Os diálogos humorados entre os personagens torna a leitura mais leve e descontrai os momentos mais arrastados do livro. Enquanto segue “migalhas de pão” deixadas por Margo como um poema de Walt Whitman e alguns mapas, Quentin acaba conhecendo um lado de sua vizinha ainda estranho a ele e passa a se questionar se a Margo linda, divertida e popular tão visível a todos era realmente a verdadeira Margo Roth Spiegelman, ou apenas mais uma das varias projeções criadas pelas pessoas ao seu redor a partir de visões distorcidas.

Quanto mais eu trabalho, mais percebo que os seres humanos carecem de bons espelhos. É muito difícil para qualquer um mostrar a nós como somos de fato, e é muito difícil para nós mostrarmos aos outros o que sentimos

 Q está morrendo de medo que Margo tenha cometido uma loucura e esteja morta, coisa que ninguém mais acredita além dele, e no fundo ele só quer que as coisas voltem a ser como sua rotina, fácil de se prever. John Green nos ensina através dos olhos do protagonista a conhecermos a nós mesmos primeiramente, antes de procurar conhecer o outro e a olhar o mundo como um todo, em seus diversos pontos de perspectiva,  a fim de amadurecimento.

Achei aquilo perfeito: você ouvia as pessoas para enxerga-las, e ouvia todas as coisas horríveis e todas as coisas maravilhosas que elas faziam consigo e com os outros, mas, no final das contas, ouvir faz com que se exponha muito mais do que as pessoas a quem estava tentando escutar.

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No fim é uma grande reflexão sobre os caminhos que seguimos em nossas vidas, como romantizamos as pessoas em contrapartida a sua verdadeira essência e sobre os valores que adotamos em nossa caminhada.

A terceira parte: O Navio, nos leva a acompanhar a caçada maluca desses quatros amigos em busca de Margo. Você simplesmente não consegue parar de rir com os planos mirabolantes e as brincadeiras que rola entre os personagens. Realmente admiro muito John Green por trazer personagens tão humanizados até nós.

Eu gostaria de poder falar mais sobre a história, o motivo do título de cada parte do livro e até mesmo sobre o título Cidades de Papel, mas seria um spoiler sem precedentes e, na verdade, há mais de um motivo para esse título kkkk

No fim acabei me apaixonando pelo Quentin e seus amigos, mas acabei com um sentimento dúbio quanto a Margo, não sei se ela no fim é alguém que eu passei a compreender ou uma egoísta tentando fugir de seus problemas. Mas, não dá pra se amar tudo né?!

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Se recomendo que você leia Cidades de Papel? Claro que sim. John Green é espetacular. Se está desfrutando de tanto sucesso, é porque merece. Esse livro tem muito mais a acrescentar do que defeitos a serem apontados, e assim como nosso lindo Q. eu também cresci como pessoa após sua história.

Se você está interessado em saber mais sobre o livro e o processo de criação do autor clique no link a seguir e deleite-se com um Questions about Paper Towns. Detalhe: contém super spoilers.

http://johngreenbooks.com/pt-questions/

Gostaram da resenha? Alguém aí já leu? O que achou? Comente! 🙂